Abaixo, segue uma reportagem retirada do site da Subsecretaria de Comunicação social do Rio de Janeiro.
Estudo mostra efeitos positivos da UPP na visão dos moradores
27/03/2013 - 08:46h - Atualizado em 27/03/2013 - 08:46h
» Danielle Moitas
» Danielle Moitas
Pesquisa do Banco Mundial aponta liberdade e tranquilidade como destaques da pacificação
Para o subsecretário de Planejamento e Integração Ocupacional da Secretaria de Segurança, Roberto Sá, o estudo do Banco Mundial é mais uma prova dos resultados positivos das UPPs. Ele destaca que o processo de pacificação quebrou a lógica de guerra que a cidade do Rio de Janeiro passava.
- A presença permanente da polícia não só retoma os territórios como permite a entrada de outros serviços nessas comunidades. Há reflexos também nos bairros, que passaram a registrar índices de criminalidades mais baixos e redução do uso de armas de fogo, proporcionando noites tranquilas como os próprios moradores afirmam no estudo - lembrou.
O trabalho de entrevistas foi feito com cem moradores entre fevereiro e outubro de 2011. Foram selecionadas quatro comunidades como estudos de caso, três com UPP e uma sem a unidade pacificadora: Babilônia/Chapéu Mangueira, que recebeu o projeto em 2008, Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, em 2009, Borel, em 2010, e Manguinhos, que ainda não havia recebido uma UPP até a conclusão do trabalho. A retomada da comunidade aconteceu em outubro do ano passado e a base da UPP foi inaugurada em janeiro.
Para o coordenador do estudo, Rodrigo Serrano-Berthet, o objetivo é apresentar de que forma o projeto de pacificação impactou a dinâmica das comunidades e o que os moradores esperavam e esperam dele.
- Vários estudos e pesquisas foram realizados com medidas quantitativas. A maior parte se baseia em dados secundários e analisa principalmente estatísticas de criminalidade, serviços e indicadores socioeconômicos, porém não busca descobrir as opiniões dos moradores das favelas. Este projeto foi feito para preencher essa lacuna de compreensão, descrevendo as transformações que ocorrem na vida dos moradores a partir de seus próprios pontos de vista - explicou.
O relatório apresenta as percepções de mudanças nas interações sociais dentro das comunidades, na relação dos moradores com a polícia, e na integração com a cidade. A principal mudança citada pelos moradores foi a possibilidade de andar pela favela com muito mais liberdade. Nas entrevistas com os pesquisadores, as mães afirmaram estar aliviadas por poderem buscar os filhos a pé na escola sem medo de acabar em meio ao fogo cruzado. Os pais disseram que a UPP colabora para o surgimento de novos exemplos para os filhos, que não estão mais expostos ao uso de armas e à violência.
- A maior parte dos moradores reconhece os benefícios da transformação trazida pelo processo de pacificação. Também foi positivo mostrar que outro tipo de polícia é possível. Há certa abertura da comunidade para negócios e serviços em nível estadual, municipal ou sem fins lucrativos. Existe um sentimento dos moradores de que seus vizinhos do "asfalto" gradualmente passam a aceitá-los como iguais, gerando a sensação de uma cidadania mais plena - destacou Serrano.
Para o pesquisador, essas e outras mudanças semelhantes apontadas no relatório do Banco Mundial mostram que a construção de uma ordem social mais inclusiva pode estar em andamento no Estado do Rio de Janeiro.
O estudo
O relatório “O retorno do Estado às favelas do Rio de Janeiro: Uma análise da transformação do dia a dia das comunidades após o processo de pacificação das UPPs” contou com a participação de pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ), da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) e de especialistas internacionais. O estudo contou com o apoio da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos e do Instituto Pereira Passos (IPP).
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