terça-feira, 5 de novembro de 2013

Mulheres ocupam espaço nas UPPs e ainda são mães dedicadas

 Abaixo, reportagem retira do site G1.


13/05/2012 08h52 - Atualizado em 13/05/2012 08h52

Mulheres ocupam espaço nas UPPs e ainda são mães dedicadas


Elas investem na carreira policial para proporcionar vida melhor aos filhos.
Profissão tem riscos, mas as policiais militares não se deixam intimidar.

Janaína Carvalho Do G1 RJ




Policiais e mães, elas dividem o tempo entre as vielas das comunidades ocupadas pelas Unidades de Polícia Pacificadora e a maternidade. Formada em fisioterapia, mas sem encontrar oportunidade no mercado de trabalho, Juliana Maria de Souza Tomaz, 28 anos, viu no concurso da Polícia Militar uma chance de proporcionar uma vida melhor para o filho de 2 anos.

“Fico muito tempo longe de casa, mas o colégio não espera eu ter um paciente particular como fisioterapeuta para quitar a mensalidade atrasada, então fiz uma opção”, explica Juliana, soldado da UPP do Morro da Mangueira, que possui 47 mulheres na tropa, o maior contingente feminino entre as Unidades de Polícia Pacificadora. Atualmente, as 22 UPPs do Rio contam com o trabalho de 586 policiais mulheres.
Conciliar a rotina de policial militar e mãe exige sacrifício não só do coração, mas também do corpo. “Chego do trabalho e dou atenção a ele até a hora de ir para cama. Depois disso, vou lavar roupa, louça, arrumar a mochila. É tanta coisa que só termino por volta das 2h da madrugada. Durmo de quatro a cinco horas por noite”, diz Juliana.

A falta de tempo, no entanto, é contornada pela atenção e diálogo com os filhos o que, segundo a soldado da UPP da Mangueira Andréia dos Santos Oliveira, 31 anos, é fundamental na educação. “Nada melhor que a conversa para orientá-los e evitar que eles caiam no conto que vejo tantos jovens caírem na rotina do meu dia a dia. Depois que a gente se torna policial, vê o mundo com um olhar mais aberto e atento”, adverte a militar que tem um casal de filhos de 7 e 13 anos.

Ter 'jogo de cintura' é fundamental
Equacionar a vida de Policial Militar e mãe, independente da idade do filho, também é uma tarefa que exige jogo de cintura. “Muitas vezes, estava numa ocorrência complicadíssima, com troca de tiros, e o telefone tocava. Na maioria das vezes era a minha mãe, que toma conta do meu filho, para me dizer que ele não queria comer”, explica, aos risos, Renata Valim, 33 anos, mãe de um menino de 6 anos e soldado da UPP do Morro da Formiga.
Segundo ela, atualmente as coisa ficaram mais fáceis. “Meu filho cresceu acostumado a não dormir comigo todas as noites. Hoje em dia, na UPP, tenho uma escala ótima. Não tinha momento melhor da vida para isso acontecer, pois agora ele está maior e entendendo mais as coisas”, diz Valim, que também passa o dia no corre-corre para poder dar conta das “mil e uma” tarefas.

A atuação das mulheres nas UPPs não poderia ser mais adequada, segundo o comandante geral das unidades, coronel Rogério Seabra. Para ele, quando tem contato com criança a mulher se torna mais afetiva e isso é facilmente pelos moradores da comunidade. “É da natureza feminina proteger o infante. As crianças sentem naquele olhar, quase sempre maternal, um olhar de amparo e de carinho. Se for um olhar masculino, ainda que venha acompanhado de um sorriso e de um gestual agradável, há sempre uma desconfiança”, explica o coronel.

Para a comandante da UPP da Formiga, capitão Alessandra Carvalhas, as mulheres são fundamentais na metodologia de trabalho da polícia. Na visão da comandante, elas tendem a observar mais as necessidades da população e, por isso, são muito bem recebidas. “É um trabalho mais social e a mulher, por ter essa característica de mãe, tem uma visão e uma postura diferenciada da do homem, que é mais voltada para o combate”, revela Carvalhas.

Segundo a soldado Flávia Machado, 29 anos, da UPP da Formiga, a maternidade facilita seu trabalho na comunidade. “Eu, como mãe, consigo penetrar no universo das mulheres dessa comunidade. Acho que fica mais fácil entender os anseios e as necessidades delas e, de alguma forma, tentar ajudar. O que eu quero para os meus filhos eu gostaria que elas pudessem dar para os filhos delas”, diz a soldado que tem um filho de 12 anos.

Desigualdade entre eles e elas
Mesmo dando conta das tarefas do lar, cuidando dos filhos e trabalhando de igual para igual com os homens, elas ainda são vítimas de preconceito. Defensor do aumento feminino na PM, principalmente nas UPPs, Seabra admite que ainda existe discriminação. “Estamos numa corporação em que 92% é de homens. Isso representa uma maioria avassaladora, onde a cultura machista ainda é muito forte. Mas a tendência é que as coisas melhorem. Vale lembrar que isso tudo é muito recente. Até pouco elas nem eram aceitas na Polícia Militar”, diz Seabra, ressaltando que apenas 8% do contingente atual é de mulheres.

Como vítima do preconceito, elas garantem que na maioria das vezes desempenham o mesmo papel ou até melhor que muitos homens. “Tem policias femininas que são até melhores que homens. Nós estamos preparadas para qualquer serviço. O treinamento é igual para homens e mulheres”, afirma a soldado Juliana, destacando que elas são chamadas de “fem” e não pela patente ou pelo nome, como acontece com os policiais militares homens.

Risco faz parte da profissão

Apesar do receio da família, as “mães das UPPs” garantem que o medo não faz parte do vocabulário delas. “Estava numa operação no Morro do Encontro, no Grajaú, monitorando a operação que estava acontecendo no morro em frente, o São João, quando ficamos no meio do fogo cruzado. Começou a chover tiro de tudo que era lado, não sabíamos de onde estava vindo e ficamos encurralados”, lembra Valim. Para ela, no entanto, a situação de risco e a adrenalina provocam uma mistura de sentimentos, que acaba minimizando uma possível sensação de medo.

Não é só durante o trabalho que o perigo ronda a vida dessas policias. Coisas simples como pegar um ônibus para ir ao trabalho, também podem ser um perigo para elas. "Ainda não tenho condições financeiras para comprar um carro e, por isso, às vezes me vejo fardada dentro de um ônibus. É uma situação arriscada, que me deixa com certo receio, mas eu conto com a sorte", diz Flávia.

Mesmo com os riscos iminentes da profissão, Juliana garante que a farda vira uma espécie de tatuagem e o policial, mesmo em situações de risco, nunca deixa de cumprir o seu dever. “A farda faz parte do seu corpo, é como tatuagem. Por mais que eu seja mãe, também sou policial. Então, é meu dever tomar alguma medida se presenciar alguma coisa errada na rua. Do contrário, não estarei cumprindo o meu papel com a sociedade”.



 

Abaixo, segue uma reportagem  retirada do site do jornal EXTRA .



Moradores discutem aspectos positivos e negativos da UPP em áreas pacificadas


Maria Vieira dos Santos com o marido Cícero Bezerra dos Santos, a filha Fernanda dos Santos Baroni e os netos Jordan, Leticia (de boné) e Giovana, no Batan, num cenário que já foi dominado pelo tráfico
Maria Vieira dos Santos com o marido Cícero Bezerra dos Santos, a filha Fernanda dos Santos Baroni e os netos Jordan, Leticia (de boné) e Giovana, no Batan, num cenário que já foi dominado pelo tráfico Foto: Marcelo Theobald / Extra

Herculano Barreto Filho
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Grávida de sete meses, a auxiliar de escritório Juliana Castro, de 26 anos, ficou dois dias refugiada dentro da própria casa com medo de levar tiro em meio à ocupação policial no Complexo do Alemão, em novembro de 2010. Quinze anos antes, o açougueiro Cícero Carlos dos Santos presenciou uma cena que nunca mais esqueceu: cruzou com um homem ensanguentado, carregado por homens armados na Favela do Batan, em Realengo, a caminho de um terreno baldio, usado como cemitério clandestino.
Cenas como essas, agora, só fazem parte das recordações de moradores de áreas pacificadas. Mas a chegada da UPP não trouxe apenas tranquilidade para pessoas que passaram a conviver com homens fardados em missão de paz. O EXTRA conversou com vizinhos da UPP da Zona Norte a Zona Sul do Rio, passando por áreas que já foram de domínio do tráfico, como Rocinha, Santa Marta, Batan, Borel, Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão. Com problemas e soluções distintas em cada caso.
- Existem problemas de relacionamento entre moradores e policiais. Mas todos precisam entender que é preciso se adaptar. Se não tivesse UPP, ainda haveria tráfico armado - disse o aposentado Otávio Luiz dos Santos Filho, de 68 anos.
Em meio a problemas distintos, algo em comum: o debate sobre a pacificação.
Maria dos Santos, dona de casa, 63 anos, moradora do Batan
“Moro aqui há 44 anos. Vim do Ceará, de ônibus, e quando cheguei aqui, só tinha mato. A Avenida Brasil estava em obras e só tinha um mercadinho. Depois, comecei a ver gente com arma e escutar tiros. Eu tinha medo de sair de casa. Na frente, só tinha bandido armado e tiroteio. O meu neto viu e disse: ‘Vó, tem um monte de arma’. Eu disse, baixinho: ‘É bandido’. Agora, os meus netos brincam na frente de casa”.

João Claudino, comerciante, 58 anos, morador do Santa Marta
“Teve uma vez que a polícia estava aqui e os bandidos chegaram a dormir dentro da minha casa. Hoje em dia, não existe mais isso. Aqui, foi a primeira comunidade a ser pacificada. Passou a ser vista pela mídia como a favela modelo e ponto turístico. Mas tem muita maquiagem. Ainda tem esgoto descoberto, barracos de tábua e pessoas em áreas de risco”.

O padeiro Luiz Claudio da Silva dos Santos mora no Morro Santa Marta, em Botafogo, Zona Sul do Rio
O padeiro Luiz Claudio da Silva dos Santos mora no Morro Santa Marta, em Botafogo, Zona Sul do Rio Foto: Luiz Roberto Lima / Extra

Luiz Cláudio dos Santos, dono de padaria, 25 anos, morador do Santa Marta
“Quando veio a UPP, comprei a padaria do antigo dono, que passou o ponto pelos gastos. O aluguel aumentou, passou a ter conta de luz. Preciso vender mais caro, para me manter. Aqui, era a única padaria. Agora, tem outras duas. O lado bom é que temos paz. Mas também tem um lado ruim. A diversão não é a mesma. Antes, sempre tinha baile. E era de graça. Agora, só tem uma vez por mês para o pessoal do morro. E tem que pagar. A UPP tem um preço”.

O motofretista Wellington Carvalho mora na Rocinha
O motofretista Wellington Carvalho mora na Rocinha Foto: Luiz Roberto Lima / Extra

Wellington Carvalho, motofretista, 31 anos, morador da Rocinha
“Isso aqui é um paraíso, irmão. Tem tudo que preciso para sobreviver. E tem praia perto. Mas algumas coisas mudaram. Antes da chegada da UPP, eu andava de moto de chinelo e sem capacete. Até acostumar a andar usando capacete, foi complicado. Hoje, está mais tranquilo e tem educação no trânsito. Mas tem um lado ruim. Uma vez, saí de casa e um policial me confundiu com bandido, só porque tenho tatuagem”.

Leonardo Leopoldino, guia turístico, mora na Rocinha
Leonardo Leopoldino, guia turístico, mora na Rocinha Foto: LUIZ ROBERTO LIMAA / Agência O Globo

Leonardo Leopoldino, guia turístico, 32 anos, morador da Rocinha
“Antigamente, a Rocinha era uma mina de ouro para o tráfico. Ainda existe venda de drogas, mas não na porta de casa de morador. As pessoas têm benefícios. Obras, moradia mais confortável. Mas tem crimes que não aconteciam porque o tráfico não deixava, como roubo, furto e estupro”.

O estudante Marcelo Mandarino, de 18 anos, mora na Vila Cruzeiro
O estudante Marcelo Mandarino, de 18 anos, mora na Vila Cruzeiro Foto: Luiz Roberto Lima / Extra

Marcelo Mandarino, estudante, 18 anos, morador da Vila Cruzeiro
Tivemos melhoras, com postes de luz, água. O morro está mais calmo. Mas ainda existem casos de falta de respeito dos policiais, que confundem o morador com bandido e agem com truculência. Passar por uma rua onde existe tráfico já é atitude suspeita para eles. Antes, andava sem preocupações. Agora, preciso andar com documento para não ser confundido com bandido. Se sair sem documento, os policiais vão achar que estou devendo algo para a Justiça.

Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/moradores-discutem-aspectos-positivos-negativos-da-upp-em-areas-pacificadas-9769123.html#ixzz2jlXJSaWS

Estudo mostra efeitos positivos da UPP na visão dos morador



Abaixo, segue uma reportagem retirada do site da Subsecretaria de Comunicação social do Rio de Janeiro.

Estudo mostra efeitos positivos da UPP na visão dos moradores



 27/03/2013 - 08:46h - Atualizado em 27/03/2013 - 08:46h
 » Danielle Moitas
Pesquisa do Banco Mundial aponta liberdade e tranquilidade como destaques da pacificação

Desde a implantação da primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), no Santa Marta, em 2008, números mostram o sucesso do projeto com a queda da criminalidade. Trinta UPPs depois, o Banco Mundial divulga uma pesquisa apresentando os benefícios da pacificação, do ponto de vista dos moradores. Para quem vive o dia a dia das comunidades, dormir sem ouvir o som de tiros, a liberdade para circular pelas ruas, e ver o lugar em que moram crescer com serviços são alguns dos méritos do projeto.

Para o subsecretário de Planejamento e Integração Ocupacional da Secretaria de Segurança, Roberto Sá, o estudo do Banco Mundial é mais uma prova dos resultados positivos das UPPs. Ele destaca que o processo de pacificação quebrou a lógica de guerra que a cidade do Rio de Janeiro passava.

- A presença permanente da polícia não só retoma os territórios como permite a entrada de outros serviços nessas comunidades. Há reflexos também nos bairros, que passaram a registrar índices de criminalidades mais baixos e redução do uso de armas de fogo, proporcionando noites tranquilas como os próprios moradores afirmam no estudo - lembrou.

O trabalho de entrevistas foi feito com cem moradores entre fevereiro e outubro de 2011. Foram selecionadas quatro comunidades como estudos de caso, três com UPP e uma sem a unidade pacificadora: Babilônia/Chapéu Mangueira, que recebeu o projeto em 2008, Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, em 2009, Borel, em 2010, e Manguinhos, que ainda não havia recebido uma UPP até a conclusão do trabalho. A retomada da comunidade aconteceu em outubro do ano passado e a base da UPP foi inaugurada em janeiro.

Para o coordenador do estudo, Rodrigo Serrano-Berthet, o objetivo é apresentar de que forma o projeto de pacificação impactou a dinâmica das comunidades e o que os moradores esperavam e esperam dele.

- Vários estudos e pesquisas foram realizados com medidas quantitativas. A maior parte se baseia em dados secundários e analisa principalmente estatísticas de criminalidade, serviços e indicadores socioeconômicos, porém não busca descobrir as opiniões dos moradores das favelas. Este projeto foi feito para preencher essa lacuna de compreensão, descrevendo as transformações que ocorrem na vida dos moradores a partir de seus próprios pontos de vista - explicou.

O relatório apresenta as percepções de mudanças nas interações sociais dentro das comunidades, na relação dos moradores com a polícia, e na integração com a cidade. A principal mudança citada pelos moradores foi a possibilidade de andar pela favela com muito mais liberdade. Nas entrevistas com os pesquisadores, as mães afirmaram estar aliviadas por poderem buscar os filhos a pé na escola sem medo de acabar em meio ao fogo cruzado. Os pais disseram que a UPP colabora para o surgimento de novos exemplos para os filhos, que não estão mais expostos ao uso de armas e à violência.

- A maior parte dos moradores reconhece os benefícios da transformação trazida pelo processo de pacificação. Também foi positivo mostrar que outro tipo de polícia é possível. Há certa abertura da comunidade para negócios e serviços em nível estadual, municipal ou sem fins lucrativos. Existe um sentimento dos moradores de que seus vizinhos do "asfalto" gradualmente passam a aceitá-los como iguais, gerando a sensação de uma cidadania mais plena - destacou Serrano.

Para o pesquisador, essas e outras mudanças semelhantes apontadas no relatório do Banco Mundial mostram que a construção de uma ordem social mais inclusiva pode estar em andamento no Estado do Rio de Janeiro.

O estudo

O relatório “O retorno do Estado às favelas do Rio de Janeiro: Uma análise da transformação do dia a dia das comunidades após o processo de pacificação das UPPs” contou com a participação de pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ), da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) e de especialistas internacionais. O estudo contou com o apoio da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos e do Instituto Pereira Passos (IPP).

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O White Blog foi criado com o intuito de fazer uma coletânia de artigos, notícias e entrevistas sobre a hegemonia das UPPs, afim de informar e atualizar os jovens brasileiros.


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